Na brisa do Níquel Náusea - Bem Bolado Brasil
Onde encontrar

Blog

O que tem de novo na Bem Bolado?

Na brisa do Níquel Náusea

Na brisa do Níquel Náusea


Por Danila Moura

O cartunista Fernando Gonsales relembra desenhos e trampos com Glauco

Nascido numa família de 814 irmãos, o Níquel Náusea mete o louco direto. Em sua primeira aparição, ele enfia o dedo na fuça do Mickey Mouse, o camundongo fofinho da gringa. Só para dizer: eu sou uma ratazana mesmo!  Com ele,o papo é reto, igual o seu criador. “Eu queria fazer um personagem sem apelo ecológico.

Ninguém levanta bandeira da preservação dos ratos!”, declara Fernando Gonsales, o cara por trás do personagem Níquel Náusea, o maior fanfarrão dos esgotos deste país. Curiosamente, Gonsales é veterinário e biólogo, mas largou cedinho a profissão após uma decepção. “Trabalhei um ano no projeto ambiental da Usina de Tucuruí, no Pará, mas senti que era um truque. É impossível ter uma usina e não destruir a vida animal”.

Desde 1985, Gonsales publica uma tira diária no jornal Folha de S. Paulo com as aventuras do bichinho, cheio de tirar onda com piadas sarcásticas e tiradas que arrancam um sorriso até dos leitores mais durões. Parça da barata Fliti, na real, uma “barata” macho, ou seja, um barato movido a baforar inseticida, a duplinha causa muito nos rolês.

A mudança  de trampo rolou após vencer um concurso para novos desenhistas no jornal. E é partir deste ponto de virada que o jovem biólogo se viu ao lado do cartunista Glauco. “Quando eu cheguei na Folha, Glauco já estava por lá. Sempre bem humorado, eu lembro que ele me convenceu a não desenhar mais um cachorro de personagem. Era muito fofo. Concordei e assumo, meu humor é afeito às ratazanas”, brinca à reportagem da Bem Bolado Brasil.

Glauco era famoso por levar as tarefas de um jeito “suave”, o que causava algumas dores de cabeça. “Ele era muito gente fina, gostava de beber uma breja no bar vizinho e rolava de atrasar um pouco as entregas. Já rolou de recortarem tirinhas antigas e colarem em outra ordem para soar como “tirinha inédita”, revela. Mas tudo mudou após a entrada de Glauco na religião daimista. “Foi ótimo, ele precisava focar. Trocou a bebida pelo pito e levava o trampo numa energia ótima”, relembra Gonsales.

Além da parceria, ambos foram roteiristas da extinta TV Colosso, em que bonecos em formato de cachorro viviam loucas aventuras numa emissora de televisão nos anos 90. “Ninguém gostava de fazer o texto dos bonecos grandões, como o JF e a Priscila, pois tinham pouca mobilidade. Logo, não dava para pirar nas histórias. Todo mundo era amarradão no Gilmar e os fantoches menores, que podiam voar e outras doideiras”, revela o cartunista.

Questionado sobre os personagens do Glauco, ele declara: “Eu imagino que Uzmano seriam um meninos da quebrada super invocados. Mas eu não saberia ir muito além disso. Fato é que a obra dele parece inovadora e contemporânea até hoje, pois brinca com sentimentos universais”.