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A origem do Techno é Negra

A origem do Techno é Negra


Por Danila Moura

Conheça coletivo de artistas negros que está redefinindo a cena eletrônica no país


Se a data do Dia da Consciência Negra pede uma reflexão a respeito do papel dos negros na sociedade, vale a pena levar este pensamento para o âmbito da música. No caso, na eletrônica, os negros tiveram papel fundamental nas origens do Techno e da House.  Nos anos 1980, DJs negros, como Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson,  estudavam na mesma escola e juntos começaram as origens do Techno em Detroit, formando o conhecido  “Belleville Three”. Já a House, em Chicago, teve Frankie Knuckles como principal protagonista em suas origens sonoras.

 

Apesar da proliferação desses estilos musicais, é raro encontrar DJs negros em ação nos grandes eventos de Techno e House no Brasil. Esse foi um dos motivos catalisadores para o surgimento da Coletividade NÁMÍBIÀ, projeto encabeçado pela performer Euvira, que começou a atuar na cena underground paulistana dançando nas festas do selo e coletivo Mamba Negra. “Comecei a questionar os produtores das festas por que eu era o único negro em papel de destaque”, afirma a artista que estudou na UFBA e tem o tradicional Bar do Marujo, em Salvador, como primeiro espaço de atuação.

 

“A nossa representatividade tem sido construída coletivamente nos tempos de hoje, e uma das nossas ferramentas de suporte pra que o cenário branco fosse mudado, foi criando nossa própria força coletiva. Hoje conquistamos uma maior visibilidade e trabalhamos com o estímulo e também capacitação para que mais artistas negrxs ocupem seus espaços”, afirma a DJ Lu Escarbe, uma das organizadoras do coletivo Ayo. Atuante em Belo Horizonte, o grupo de DJs negros é composto por Gabi Nass, Sandieg, Opala, Podeserdesligado e Laryssa Braga.

Na semana do Dia da Consciência Negra, que tal gastar brisa ouvindo DJs brasileiros que tocam do afro-house ao techno numa onda black de raiz? Sente só que lombra das boas essa turma transforma em sons.

Aretha Sadick 

Aretha solta o vozeirão para versos sobre o mundinho gay e a jogação na noite paulistana. Suas performances impressionam e incomodam as mentes mais fechadas e retrógradas, embaladas por bases eletrônicas primorosas.

Conheça: https://www.facebook.com/sadickisses/
https://soundcloud.com/adalaive

Miuccia

Afro Tech, House, Disco e musicalidades africanas compõem o projeto musical da DJ e produtora Miuccia. Paralelo aos seus estudos de psicologia, Ana Carolina, de Bauru, pensa nos gêneros da Eletrônica e nas fronteiras estabelecidas com outros gêneros, ideias, discursos, imagens e sentimentos e busca catalisar algumas tendências e estender até onde for possível do mainstream às periferias. Suas referências musicais também têm Hip Hop, Trap e Bass também fazem parte de seu histórico/pesquisa musical. Neste ano, Miuccia, produziu uma faixa pra coletânea Tormenta Hits Vol. II. Na construção dos seus sets sempre se preocupa em trazer a sua identidade, pesquisando músicas produzidas por mulheres e sonoridades negras.

Conheça: mixcloud.com/miuccia

Guedes Jaca

Envolvido com a música Eletrônica desde o início da década de 90, Guedes, frequentou alguns clubes lendários na capital de SP: Sound Factory, Toco, Overnight, Contra Mão, Sunshine e também é um dos idealizadores e residente da cultuada e respeitada Festa Jaca, que há onze anos mantém a postura underground e de extrema atitude no centro velho de São Paulo. Já se apresentou em alguns clubs/festas importantes da cena noturna de São Paulo: Lions, Alôca, Vegas, Tapas, D-Edge, Lab, Mono, Carlos Capslock, Quitanda, Function.

Conheça: mixcloud.com/guedes-jaca/

Max Underson

Incansável em sua pesquisa musical, Max Underson conquistou a atenção dos ouvidos mais exigentes com sets sofisticados e mixagens precisas. Grande apreciador da música eletrônica desde os anos 90, Max foi adquirindo um estilo único e refinado, sua identidade musical emotiva e dançante tornaram-se marcas na pista de dança. Sempre atento a vanguarda da música Eletrônica underground, é daqueles DJs que está sempre preparado para arriscar seu repertório e construir sets cheios de histórias e sentimentos. Como produtor Max, já lançou por muitos selos nacionais de destaque, como Sudd, Paunchy Cat, Psychosomatic, Primitive State, entre outros.

Conheça: soundcloud.com/max-underson

Guillerrrmo

Projeto de Acid House e Techno iniciado em 2014 pela manauara Viviane Mendes, com influências que vão dos álbuns de disco que ouvia na infância, passando pelo Chicago House e Detroit Techno. A admiração por labels como L.I.E.S, Hyperdub, warp, DFA são exemplos dos estilos e conceitos que modelam o desenvolvimento do projeto.

Conheça: soundcloud.com/guillermo321

DJ Alberto Neto

Sua pesquisa musical foca na House, Disco, Tech House e Minimal. Formou-se em estilismo no Rio de Janeiro e sempre soube associar diversão e bom gosto. Seu primeiro trabalho com música foi o projeto do MC Supablack, que criou junto com amigos, no qual cantava sobre bases eletrônicas.

Em 2012, a vida boêmia e super dançante o trouxe para São Paulo, onde participou do projeto JACA, além detocar nas pistas do Club Jeromê, Alôca, Igreginga e Lourdes.

Conheça: soundcloud.com/djlabertoneto

“Comecei a questionar os produtores das festas por que eu era o único negro em papel de destaque” – Euvira